Archive for fevereiro \06\UTC 2009

“Trilha Sonora da Itália 2008”

fevereiro 6, 2009

Enfim tenho meus cantores e bandas favoritas no país! Nada de Laura Pausini, Eros Ramazzotti ou o fenômeno POP italiano Vasco Rossi. Esses aqui eu fui colhendo aqui e alí e consegui (em partes) deixar de lado o esteriótipo de que música italiana é sempre uma melação-para-cornos.

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Um deles eu já falei, o Jovanotti. E na mesma linha dele, tem o Zucchero, um cantor que está sempre fazendo parcerias com outros cantores italianos e internacionais, regravando sucessos mais antigos e misturando tudo, numa pegada sempre tranquila, pop, um pouco Blues, cheia de participações especiais pra vender mais e esse esqueminha “Sandy-Jr.” manjado…

(nota: isso pra mim é playback! Que feio hein…)

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Tem também umas bandas muito boas de rock. A mais antiga das bandas que conheci aqui foi o Litfiba, banda dos anos 80 com som meio wave. O cantor, Piero Pelú, continua cantando até hoje. Me parece que as pessoas gostam bastante dele aqui. Eu acho ele estranho e feio cantando. Mas enfim, a época de ouro do Litfiba já passou.

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Uma outra banda que me agradou bastante pelo rock mais tranquilo foi o Marlene Kuntz, que estourou no início dos anos 90, mas posso dizer que é praticamente um Los Hermanos italiano.

(Nota: toda banda por aqui tem pelo menos 10 anos de carreira. Aqui eles valorizam mais o percurso do artista que o seu trabalho atual, pelo que me parece… Não tem nada a ver com a Inglaterra, que está sempre dando espaço e lançando bandas novas. Seria uma questão de influência e uso da internet em cada país? Eu acho que sim…)

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E foi em um show da Nike 10k que eu conheci uma banda que me marcou muito pelo som diferente de tudo aquilo que eu costumava ouvir aqui, bem ousado pra uma banda italiana. O Subsonica faz aquilo de misturar rock e música eletrônica, às vezes caindo numa coisa que nos soa meio estranho, mas na maioria com um resultado bem gostoso (tipo essa aqui do comecinho da carreira da banda, há mais de 10 anos atrás…).

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A banda mais recente e uma das melhores que conhecí foi a Negramaro, que surgiu e ganahou notoriedade através de concursos e festivais – e não parou de ganhar prêmios desde o ano de seu primeiro disco, 2003. Os caras são do sul italiano, e pra muitos é, hoje, a melhor banda de rock italiano. Os caras são bons mesmo.

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Aqui na Itália eles valorizam muito também os cantores que compõem suas canções, os “cantautores”, como o Jovanotti e o Luciano Ligabue. Ele é um daqueles que não se limita só às canções belíssimas, mas também é escritor, diretor e pitaqueiro político nas horas vagas. Seu trabalho e envolvimento com a Itália vai além das musiquinhas românticas na voz rouca, e é por isso que coloco o cara no meu TOP musical não só italiano, mas geral. Enfim, tiro o chapéu pra ele. O cara é foda.

(nota: esse é o último post que escrevo sobre a Itália ainda na Itália! Carrego assim que possível no blog, mas daqui alguns dias começo minha viagem pela europa e depois… de volta ao Brasil! Então vou me despedir deixando uma música que ouvi muito aqui no início do ano nas rádios e me lembra meus primeiros momentos no país. Tem uma letra bem forte e crítica em relação ao país, e é toda sentimental, pra acompanhar esse momento de pré-despedida… Aiai, que dor no coração! Europa, aí vou eu!)

(Uma que tocava em balada de rock e a galera pirava de tanto dançar, mas de um cantor desimportante: Viene a ballare a Puglia)

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Lugarzinhos de Roma

fevereiro 6, 2009

Depois de meses morando aqui, eis meus achados que nenhum guia turístico vai recomendar.

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Pra comprar muito e gastar pouco

O mais tradicional e famoso mercado de pulgas de Roma acontece todos os domingos de manhã entre a Via Portuense e a Via Ippolito Nievo, o chamado PORTA PORTESE. Hoje é uma mistura de camelô com lojinha indiana de roupas e tecidos com lojinha chinesa de quinquilharias com loja de bicicleta com brechó com Rua José Paulino com feirinha da Benedito Calixto. Os preços são surpreendentemente baratos. Caçando, dá pra achar muita coisa boa por menos de 5 euros.

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Os melhores GELATOS!

A escolha dos Turistas sempre é a sorveteria GIOLITTI. Mas eu acho que o sorvete alí sobrevive mais de publicidade do que de gosto, e os atendentes são um tanto quanto estressados… Então, fico com minha preferida, a gelateria DELLA PALMA, ao norte do Pantheon, na Via Maddalena, com mais de 100 sabores pra escolher (20 tipos só de chocolate!!!) , um melhor que o outro. É como entrar em um universo paralelo, um mundo perfeito… E o sorvete de Chocolate com Amareto é para lamber os beiços e repetir.

E também tem o PALAZZO DEL FREDDO, uma das sorveterias mais antigas da Itália (dizem que é A MAIS antiga. Não sei. Só sei que o Mussolini ia tomar um sorvetinho lá…) que fica na Via Principe Eugenio 65, saindo da Piazza Vitorio e andando uns 200 metros. O sorvete de iogurte branco é maravilhoso, e combinado com outro sorbet, como Frutta del Bosco, fica PERFEITO. É um enorme palácio de fachada branca. Não é “fighetto”, tem pouco ou nenhum turista, mas está sempre cheio de gente.

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As cervejas mais baratas de Roma

Se afastando um pouco do Campo de Fiori, virando à direita na Piazza Farnese, está meu bar favorito em toda a cidade: o bar PERÚ. Um butecão onde a galera fica bebendo na rua e jogando conversa fora, com a Peroni 600ml por 2 euros e o amaro (do capo ou amaretto de Saron) por 2 euros e 50.

E depois de esquentar no Perú, vá em direção à Trastevere. Antes de atravessar a Ponte Sisto, corra pra sorveteria e pegue mais uma Peroni 600ml por 1 euro e 50, pra sentar na escadaria da movimentadíssima Piazza Trilussa e bater um papo antes de escolher o próximo bar, dentre tantos os de Trastevere.

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DOCES, DOCES, DOCES…

A doceria Siciliana CIURI CIURI, que fica paralela à Via Cavour, decendo uma escadinha na altura da Igreja de San Pietro in Vincoli, é uma total PERDIÇÃO. A Cassata siciliana não tem comparação, uma das coisas mais gostosas que eu já comi na vida. E os canolos sicilianos então… São recheados alí na hora com ricota fresca, com ou sem gotas de chocolate e creme de cacao, com pistache triturado nas pontas e açúcar de confeitero por cima… Não dá pra não ir.

E depois da balada, os italianos não passam nem no Black Dog nem na Fábrica dos Salgados como em São Paulo. Eles preferem comer uma bomba de creme ou um croissant de nutella no CORNETTO NOTTE (Via Nomentana 940) –  a larica oficial de Roma, sempre cheia de gente na madrugada de sexta pra sábado. Mas também tem uma cafeteria 24 horas na Piazza Venezia, mais próxima pra quem vai pro Campo di Fiori ou Trastevere: o “Castellino al Palio Bianco”. As tortinhas de frutas são as melhores.

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APERITIVOS

Os melhores aperitivos que visitei em Roma podem até se comparar em qualidade com os do Norte (só não são tão baratos). Um deles está no Corso Vitorio Emanuele, antes de entrar no Campo di Fiori, ao lado do Museo Baroco. Se chama IL PRIMO: 5 euros a cerveja a spina, 8 euros um coquetel. Mas você pode comer à vontade. Enroladinhos de beringela e presunto, bruschetas, salada de arroz, salada de pasta, franguinho assado picante, arancinis… Vale por um jantar e é um ótimo ponto de partida pra uma noite de bebedeira.

E tem também o famoso POMPI, o rei do Tiramissù! Fica na Via Albalunga 11, ao lado da Praça Rei de Roma. Além do dito “melhor Tiramissù de Roma” entre 18h30 e 21h dá pra aproveitar o abundante aperitivo de diversas pastas, bolinhos, carciofinni, wurstel e mozzarellas. Também não é nem um pouco turístico, e é ponto de encontro dos romanos antes de ir pra balada.

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E MAIS COISA PRA COMER…

..sem gastar muito, claro! :)… Um lugarzinho nem um pouco turístico, uma portinha que fica na Via Palermo perto do número trinta e alguma coisa, onde o pessoal que trabalha passa pra almoçar. Se chama “QUA SE MAGNA DA CONSTANTINO”, nome romanaccio pra um lugarzinho bem romano também. Na parede tem umas frases escritas em romanaccio, que nem eu entendo… Os paninos (sanduíches) são feitos na hora e custam pouquíssimo. Mas o melhor está no “Prato qua se magna”, que inclui uma pasta ou insalata de arroz que + um misto de folhas, mozzarella, azeitonas, beringela na grelha, atum e a maravilhosa alcachofra romana. Se come muito bem.

E o restaurante mais gostoso em que já comi aqui, muito famoso entre os romanos, é o Panattoni (Viale Trastevere 53-57), ou  l’OBITORIO, como todos o chamam – porque as mesas são compridas e  feitas de mármore branco… Enfim, não é um posto “fighetto” mas é uma instituição para os romanos. Se prepare pra esperar um bom tempo por um lugar, e talvez ficar ao lado de outras pessoas na mesa. Mas tudo vale a pena pela maravilhosa pizza de massa fina e crocante, pela flor de abóbara empanada recheada de mozzarella e alice (uma sutileza sem descrição… aiai…), ou pelo supplí “al telefono” (porque você morde o bolinho feito de arroz e tomate e puxa esticando o queijo como um fio de telefone).

Mas se você quer comer comida italiana como nunca comeu na vida, pergunte como ir pra cidade vizinha de Roma, Ariccia, e se delicie nos seus FRASQUETTES, os típicos restaurantes da região dos castelos Romanos. São todos um ao lado do outro e extremamente famosos. Lugar certo para os almoços das famílias romanas nos fim-de-semana, e mais certo ainda para o jantar dos jovens nas sextas e sábados. Peça por um misto de entrada (com mozzarella, azeitonas frescas, salaminhos diversos, presunto parma, carne de porco assada, queijo temperado, pão italiano…), mais uma pasta do dia e muito vinho da região.

Bom, têm muitas outras pizzarias al taglio (quadradas, por corte) por onde sempre passo. Uma pizzaria a taglio maravihosa fica quase na frente do “Qua se Magna”, que eu falei um pouco a cima, administrada por uma família muito simpática e com uma pizza explêndida (os sabores de funghi a 4 formaggi e amatriciana, com bacon, tomate e parmigigano, são os melhores). A Pizzeria del Secolo, na Via Vicenza, também sempre me rendeu ótimas experiências…