DJs Italianos

julho 8, 2008

Continuo na minha saga pra desmistificar a história de que toda música italiana é um ‘melodrama cornudo’.

Por acaso, esses dias, estava tentando me lembrar de alguns dos hits eletrônicos que tocavam no começo da faculdade, e me deparei com uma versão do Summer Jam mixada pelo Gigi D’Agostino.

“Poxa, esse nome parece bem italiano…” Algumas googladas depois, descubro que o cara realmente é, nascido em Torino. E não foi difícil achar a renca de DJs que a Itália exportou: Eiffel 65, Gabry Ponte, Molella…

Pois é, um a menos pra minha teoria. Ouvi muitos DJs italianos na adolescência e não sabia. Mordi a língua. Beh!

Agora, gente, olha isso aqui embaixo – da época que eu tinha que sair escondido pra ir pra baladeeenha! Passinhos na pista, topetinhos… putz… nostalgia total!

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Casa

julho 7, 2008

Mapas pendurados no papel-de-parede amarelado de temas florais. Garrafas de vinho e rum jogadas pelo carpete vermelho.

Móveis antigos de madeira. Hall com passagem de gesso em forma de arco. Teto em abóbada com iluminação indireta.

Luz amarela da rua entrando pela janela, por onde se vêem as típicas fachadas de prédios antigos, hotéis e as costas de uma estátua que está sobre a torre da igreja da esquina.

Banheira com torneiras em metal imitando bronze e cortina prateada. Azulejo pintado com rosas.

Relicários onde agora penduramos postais de Dublin, Lyon e Mykonos, e cuja luz acende quando abrimos a porta…

Gosto desse lugar. Já chamo isso aqui de casa.

Dublin

julho 5, 2008

Em maio, fui fazer uma visita pra uma amiga que mora em Dublin e aproveitar um pouco minha estadia aqui nas Zoropa. Sempre tive vontade de conhecer Dublin – me diziam ser um lugar com alma de Inglaterra e cara de cidade do interior. E digamos que, na Irlanda, os latinos são muito mais bem-vindos do que em Londres.

Visitei muitos pubs, todas as noites, e obviamente fiz o roteiro turístico básico da cidade. Mas são em momentos específicos, fora dessa rotina de turista, que se aprende mais sobre o local do que qualquer descrição de guia.

Andando sozinho (e meio que perdido) pelas ruas, numa tarde com um sol simpático dando as caras, achei sem querer a Saint Patrick’s Cathedral. E lá estava a igreja do santo mais famoso da Irlanda ao lado de um parque extremamente cheio de vida: crianças brincando com os pais, gente lendo, tirando uma sonequinha ou mesmo só batendo um papinho na grama, em plenas 4 horas da tarde. Sentei também, tirei a mochila das costas e guardei o mapa. Fiquei ali um bom tempo, conversei com algumas senhoras, observei as pessoas e curti o sol que começava a trazer a vida de volta pra cidade. Esse tipo de cidade européia oscila entre o depressivo inverno, gelado e escuro, quando anoitece às 3 da tarde, e a vida que a primavera traz pras pessoas e pra paisagem sempre tranquila.

Nem mesmo no horário de pico os ônibus estão lotados. Eles nem precisam de metrô, porque o trânsito praticamente não existe e os outros sistemas de transporte funcionam muito bem. A cidade é plana, por ser litorânea, e totalmente planejada. Dá pra voltar de biclicleta pra casa, a qualquer horário, mesmo morando na periferia da periferia – que não é tão diferente das regiões mais nobres, tendo em vista que o país é composto por uma vasta classe média.

Foi ali que eu entendi a pegada de Dublin: uma cidade calma, organizada, pacífica. E realmente com aquele ar de cidade do interior. Mas com um povo forte, bravo e orgulhoso, com uma alma bem diferente da alma inglesa.

Com uma história de muitas batalhas, parece que hoje o país atingiu aquilo que sempre lutou pra conquistar: independência política, uma democracia que funciona e prosperidade econômica – embora o norte, pertencente ao Reino Unido, ainda sofra com esse tipo de briga, atentandos do IRA, etc.

>> no caminho para Howth Cliffs

O país é extremamente católico (e olha que eu digo isso mesmo morando em Roma!), até porque a religião virou uma afirmação cultural defronte os protestantes ingleses. E ainda bem que eles também falam inglês, pois o irlandês não lembra nada que conhecemos, uma vez que a raíz é céltica e não anglo-saxã.

E quando se pensa em Irlanda, se pensa em U2. Mas não foram só eles que o país mostrou pro mundo. Na música contemporânea, entre muitas outras bandas, ainda tem The Corrs (que eu adoro), Cranberries e Enya (minha frustração foi não ter ido visitá-la em seu castelo, cantando na sua torre, diva céltica total, louca…). Visitei também um festival muito interessante de teatro, que é uma coisa forte na cidade. Afinal, eles também geraram gente como George Bernard Shaw, Samuel Beckett e Oscar Wilde (visitei a casa deste último, mas não tinha nada demais…). Ah, e também é onde nasceu o James Joyce, que eu tinha acabado de estudar aqui na Universidade de Roma.

>> estátua de James Joyce.

Impressões

As pessoas são bonitas mesmo que não se cuidem tanto como na Itália. E os irlandeses que bebem de verdade: litros de cerveja até cair no chão, seja homem ou mulher. Roots! Raça viking, mermão!

O inverno e as chuvas frequentes deixam algumas épocas extremamente depressivas – por isso que os pricipais problemas de Dublin estão ligados ao alcoolismo e à taxa de suicídios. Fora isso, tudo é extremamente organizado e desenvolvido. De umas décadas pra cá, eles atraíram muitas empresas internacionais, principalmente de tecnologia, e se tornaram um “tigre céltico” da economia.

Nos pubs, as pessoas não saem só com os amigos da mesma idade, mas também com a família. Até mesmo as famosas despedidas de solteiros das meninas são eventos pra toda a família. Como diria o Pawel, o polonês que me hospedou, “oh gosh, this is so irish…”

>> eu e Nani em um dos Pubs da Temple Bar

Cores

As casas e o céu estavam sempre acinzentados, pois as casas são de pedra sem reboque e o tempo está sempre fechado. Os gramados e árvores eram extremamente verdes, por causa da chuva abundante. E as pessoas, rostos e cabelos avermelhados. Se rolasse um solzinho então, a cidade ficava cheia de pontinhos vermelho-pimentão.

>> Dublin doors

>> fachadas típicas, de madeira. As pretas e douradas são minhas preferidas.

Valeu a pena:

  • Visitar a Trinity College, que é uma universidade de uns 500 anos e muito linda, com um clima muito tranquilo. Lá dentro tinha uma biblioteca que me deixou maluco.
  • Passar um dia no porto e na costa em Howth, pra ter uma noção da beleza natural do país e comer coisinhas que vinham diretamente das fazendas irlandesas.
  • Tomar uma pint vendo a cidade do alto no observatório da fábrica da Guiness.
  • Relaxar nos jardins e andar pela cidade sem compromisso, conversar com as pessoas e ver como os irlandeses podem ser extremamente simpáticos.
  • E, principalmente, andar de pub em pub pelo Temple Bar e perceber como os irlandeses podem ser extremamente ogros quando bebem, hehe

>> tiozinho do porto de Howth, que fica sentado no banquinho pra conhecer pessoas e contar histórias. Total Forrest Gump.

>> pegando uma pint de guiness no observatório da fábrica.

>> jardim do Dublin Castle. Sempre com crianças, gente lendo, tirando uma soneca ou só batendo um papinho e curtindo a tranquilidade da cidade.

>> perdido, porque todas as casas eram iguais e eu não lembrava o número da minha…

Mais fotos de Dublin no meu flickr.

Gafes brasileiras na cozinha da Itália

junho 22, 2008

Se um paulistano da Mooca já surta quando te vê colocando catchup num pedaço pizza, imagina então a frescura de um italiano quando o assunto é comida.

Por isso, eis uma listinha de alguns dos nossos mitos da cozinha italiana – sacrilégios mortais para o pessoal daqui, tão perigosos de serem pronunciados em público quanto o nome “Roberto Baggio“.

“Pizza sempre tem molho de tomate.”

Dizer pra um italiano que nossa pizza 4 queijos tem molho de tomate é quase como dizer que os chineses comem barata, escorpião, gafanhoto, cachorro…

Na Itália, existe a pizza vermelha, com molho de tomate debaixo da cobertura, e a branca, sem o molho. Aqui, metade ou mais dos sabores de pizza têm a base branca. Tem pizza com centenas de sabores, mas o molho de tomate tem que “combinar” com eles pra ser usado. Inclusive, um sabor muito comum é a “pizza rossa“, só com de molho de tomate sobre a massa e mais nada.

“É bom comer uma saladinha verde pra acompanhar a pasta.”

Nãããão… Italiano come tudo separadinho, uma coisa por vez, sem misturar. Antipasto (frios, petiscos, bruschetas); depois o primeiro prato (a dose de carboidratos da refeição: uma pasta, pizza, sopa ou risotto); depois o segundo prato (a dose de proteínas: uma carne, ou prato com ovo ou queijo); em seguida o contorno (salada, legumes, verdura ou cereais) e sobremesa.

“Comer pasta com a ajuda de uma colher é suuuper-fino.”

Amigô, quem usa a colher como base pra enrolar uma pasta longa aqui na Itália é porque não sabe comer. É coisa de gente sem educação ou de pasta mal-feita.

Tipos de pasta“Espaguete é macarrão! É tudo macarrão!”

EEEEEEPAAAAA!!! Perae! Spaghetti é spaghetti, maccherone é maccherone ! Spaghetti é aquele da Dama e o Vagabundo! Maccherone tem um buraquinho no meio, pode ser menorzinho, e se você tenta chupar faz barulhinho nojento. Brasileiro faz qualquer miojinho e diz que é “espaguete à bolonhesa”.

“Mas o espaguete à bolonhesa, pelo menos, é original!”

Ok, o ragù bolognese é realmente aquele de tomate e carne, mas originalmente deve ser servido com tagliatelle, aquele achatadinho, e não com spaghetti. E tem que ser tagliatelle ao ovo, que é mais amarelinho.

Cada prato exige um tipo de pasta mais adequado, seja pelo formato (que prende mais o tipo de molho) ou pelo tipo de ingrediente usado na composição da pasta (funghi, espinafre, pimenta…) – Ou vocês acham que existem mais de 50 tipos de pasta só pra deixar a refeição mais lúdica?

Ainda tem muito mais ‘gafes’ na nossa ‘cozinha italiana’ do que a gente imagina, mas isso não tem como não acontecer com uma culinária que é tão apreciada no mundo todo. Pepperoni não é salame e salsiccia não é wurstel ! Já fui quase trucidado por fazer um ragù com molho vermelho e branco misturados, mas também ainda não entendi qual é a lógica de uma ‘pasta com feijão’ ou de um ‘lanche de batata’.

POP Italiano – Jovanotti

junho 19, 2008

Quando eu estava estudando italiano no Brasil, pra treinar um pouco a língua, baixei uma série de músicas da única cantora italiana que conhecia: Laura Pausini. Acabei decorando todas aquelas músicas estilinho “SandyJúnior” nas melosas versões originais. Chegando em Roma, me disseram que isso é música de exportação e que aqui as pessoas não amam Laura Pausini como os caras que escolhem as ‘trilhas internacionais’ das novelas da Globo.

E juntando meu conhecimento prévio (Laura Pausini) com as músicas que andei ouvindo nas rádios daqui, tenho a impressão de que toda música italiana fala de amores platônicos e melosos, ou de sofrimentos eternos…

Mas a partir de agora, me proponho a conhecer mais a música italiana e tentar mudar essa idéia. É a saga pra desmistificar a teoria dos ‘melodramas cornudos’.

Primeira tentativa: Il Barbone di San Giovanni

‘1º de maio da Piazza San Giovanni’, um show ao ar livre que é já tradição em Roma. Me lembro quando um barbudo entrou no palco, cantou “um monte de coisa de amor meio que misturado com rap” com uma voz meio rouca, e todo mundo cantou junto, delirando. Esse é o “Jovanotti”, um cantor bem respeitado aqui, principalmente porque tem uma carreira de vem desde o fim dos anos 80, mas nunca sai das paradas italianas.

Esse é o clipe de um grande hit, “Penso Positivo”, de 1993, época em que ele começou a incluir temas mais políticos e filosóficos (naquelas, claro) em suas letras e dar uma de Bono Vox (ajudando instituições, fazendo declarações pacifistas, se declarando vegetariano, etc…)

>> Duas coisas pra comentar sobre esse clipe. Um: até fazendo Rap, eles continuam fazendo música romântica. Dois: sonoramente não é a língua mais linda pra se cantar um Rap?

Na real, o esquema do Jovanotti é dar uma de Madonna – explorar novos caminhos em cada trabalho, pra “ir renovando”. Mas não adianta falar, da mesma forma que ele tem sempre um pezinho no Rap, ele sempre tem o outro pezinho no ‘melodrama cornudo’. Prova maior é essa música que ele fez pra sua filhinha, “A te”:

Bom gente, vou continuar procurando e postando meus achados interessantes.

E até agora, a teoria das músicas melosas tá dando certo…

Porque é bom voltar da festa de ônibus

junho 18, 2008

Bebendo uma cerveja sentado no meio de uma praça de Trastevere em plena madrugada, não deu pra não pensar que, em São Paulo, isso não seria possível.
Dá um certo mal estar lembrar como é viver o tempo todo com medo, e que logo vou ter que voltar pra essa realidade. E não sinto essa dor só por mim, porque imagino o quanto meus amigos e ou qualquer outro grupo de amigos curtiria muito sair de casa sem estar blindado quando quer se divertir pela noite.

Ao ficar procurando um lugar para estacionar o carro nas ruas lotadas às 2 da manhã, lembro de todos os estacionamentos privados que existem em cada barzinho da Vila Madalena, em cada shopping center. Voltando pra casa depois da festa dentro de um ônibus, penso qual seria o valor do taxi que eu deveria pagar.
A sensação de sentar e beber olhando os prédios, praças e fontes, sem precisar pagar por aquilo, é uma sensação de vida. Já deu pra perceber que vou sentir saudade das noites de verão pelas praças de Roma.

Biblioteca

junho 18, 2008

Quando fui pesquisar uns livros pra um trabalho da faculdade na biblioteca enorme que fica aqui perto de casa, a recepcionista me disse que eu precisava fazer uma carteirinha pra entrar no prédio. “Pronto… Começou a italianagem…” – pensei. Mas para o meu espanto, a carteirinha ficou pronta em menos de 10 minutos. “Uau! Alguma coisa nesse país funciona!”

Realmente, à primeira vista, a Biblioteca Nazionale Centrale de Roma me pareceu um lugar bem organizado e eficiente. Muito espaço, pesquisa de catálogo nos computadores, escravaninhas pra estudo com luz e tomada para portátil.

Depois de um agradável dia de pesquisas, achei uns bons livros pro meu argumento e… resolvi tentar emprestá-los.

– Você tem que fazer um requerimento pelo computador antes de pegá-los. É só preencher um formulário na sua conta e passar sua carteirinha no leitor ao lado dos computadores de pesquisa.
– Ok, já volto então…
– Mas esses livros que você pegou aí não podem ser emprestados. São só para leitura. Aliás, você deveria ter feito um requerimento de leitura para poder portar eles assim pela biblioteca.
– Desculpe, é a primeira vez que eu uso a biblioteca. Como eu sei quais são os livros que eu posso emprestar?
– Você faz um pesquisa pelo título da obra no computador, se tiver duas cópias, uma delas você pode emprestar.
– Ok, vou achar outro livro e fazer o requerimento então.
– Ah, mas já passou das cinco horas. Você só pode pegar um livro emprestado até as cinco horas.
– Só amanhã então?
– Sim. Só amanhã. Ah, e mais uma coisa: se o livro for datado de até cinco anos antes do atual ano, você também não pode pegar emprestado.
– Estranho… tem mais alguma coisa que eu deveria saber?
– Sim. Se o livro que você quiser for datado de antes de 1990, você não pode pegar emprestado também. E se quiser apenas consultar esse livro antigo, você tem que fazer um requerimento de leitura especial pelo computador indicando um assento da biblioteca. Alguém te entregará o livro dentro de meia hora.
– Mas… pra que tudo isso?
– É como funciona aqui. Leia as regras que te entregaram quando você fez sua carteirinha pra tirar suas dúvidas. Se quiser eu tenho mais cópias das regras aqui comigo.
– Não, obrigado… Mas então quer dizer que se eu quiser um livro emprestado, ele tem que ser datado de entre 1990 e 2003, e ter mais que uma cópia no acervo?
– Exato.
– Não vão me sobrar muitas alternativas de bibliografia então… Será que eu posso, pelo menos, fazer fotocópia dos livros que eu não posso pegar emprestado?
– Sim. Ali naquela cabine.
– Uf… obrigado.
– Mas para fazer fotocópias você deve fazer um requerimento de fotocópias, indicando as páginas que quer copiar e o motivo. Mas a cabine de fotocópia fecha às cinco também, querido. Próximo, por favor.

Até que enfim, um blog!

junho 17, 2008

Até que enfim vou tirar proveito de todo o poder democrático da web. Até que enfim vou deixar de ser um receptor massificado e me tornar um gerador de conteúdo. Agora, eu sou a mídia! Eu sou o formador de opinião! E, pra inaugurar esse memorável, inestimado e revolucinário blog, deixo aqui uma pequena mostra do que só mesmo a incrível era digital nos permitiu ter acesso.