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Dublin

julho 5, 2008

Em maio, fui fazer uma visita pra uma amiga que mora em Dublin e aproveitar um pouco minha estadia aqui nas Zoropa. Sempre tive vontade de conhecer Dublin – me diziam ser um lugar com alma de Inglaterra e cara de cidade do interior. E digamos que, na Irlanda, os latinos são muito mais bem-vindos do que em Londres.

Visitei muitos pubs, todas as noites, e obviamente fiz o roteiro turístico básico da cidade. Mas são em momentos específicos, fora dessa rotina de turista, que se aprende mais sobre o local do que qualquer descrição de guia.

Andando sozinho (e meio que perdido) pelas ruas, numa tarde com um sol simpático dando as caras, achei sem querer a Saint Patrick’s Cathedral. E lá estava a igreja do santo mais famoso da Irlanda ao lado de um parque extremamente cheio de vida: crianças brincando com os pais, gente lendo, tirando uma sonequinha ou mesmo só batendo um papinho na grama, em plenas 4 horas da tarde. Sentei também, tirei a mochila das costas e guardei o mapa. Fiquei ali um bom tempo, conversei com algumas senhoras, observei as pessoas e curti o sol que começava a trazer a vida de volta pra cidade. Esse tipo de cidade européia oscila entre o depressivo inverno, gelado e escuro, quando anoitece às 3 da tarde, e a vida que a primavera traz pras pessoas e pra paisagem sempre tranquila.

Nem mesmo no horário de pico os ônibus estão lotados. Eles nem precisam de metrô, porque o trânsito praticamente não existe e os outros sistemas de transporte funcionam muito bem. A cidade é plana, por ser litorânea, e totalmente planejada. Dá pra voltar de biclicleta pra casa, a qualquer horário, mesmo morando na periferia da periferia – que não é tão diferente das regiões mais nobres, tendo em vista que o país é composto por uma vasta classe média.

Foi ali que eu entendi a pegada de Dublin: uma cidade calma, organizada, pacífica. E realmente com aquele ar de cidade do interior. Mas com um povo forte, bravo e orgulhoso, com uma alma bem diferente da alma inglesa.

Com uma história de muitas batalhas, parece que hoje o país atingiu aquilo que sempre lutou pra conquistar: independência política, uma democracia que funciona e prosperidade econômica – embora o norte, pertencente ao Reino Unido, ainda sofra com esse tipo de briga, atentandos do IRA, etc.

>> no caminho para Howth Cliffs

O país é extremamente católico (e olha que eu digo isso mesmo morando em Roma!), até porque a religião virou uma afirmação cultural defronte os protestantes ingleses. E ainda bem que eles também falam inglês, pois o irlandês não lembra nada que conhecemos, uma vez que a raíz é céltica e não anglo-saxã.

E quando se pensa em Irlanda, se pensa em U2. Mas não foram só eles que o país mostrou pro mundo. Na música contemporânea, entre muitas outras bandas, ainda tem The Corrs (que eu adoro), Cranberries e Enya (minha frustração foi não ter ido visitá-la em seu castelo, cantando na sua torre, diva céltica total, louca…). Visitei também um festival muito interessante de teatro, que é uma coisa forte na cidade. Afinal, eles também geraram gente como George Bernard Shaw, Samuel Beckett e Oscar Wilde (visitei a casa deste último, mas não tinha nada demais…). Ah, e também é onde nasceu o James Joyce, que eu tinha acabado de estudar aqui na Universidade de Roma.

>> estátua de James Joyce.

Impressões

As pessoas são bonitas mesmo que não se cuidem tanto como na Itália. E os irlandeses que bebem de verdade: litros de cerveja até cair no chão, seja homem ou mulher. Roots! Raça viking, mermão!

O inverno e as chuvas frequentes deixam algumas épocas extremamente depressivas – por isso que os pricipais problemas de Dublin estão ligados ao alcoolismo e à taxa de suicídios. Fora isso, tudo é extremamente organizado e desenvolvido. De umas décadas pra cá, eles atraíram muitas empresas internacionais, principalmente de tecnologia, e se tornaram um “tigre céltico” da economia.

Nos pubs, as pessoas não saem só com os amigos da mesma idade, mas também com a família. Até mesmo as famosas despedidas de solteiros das meninas são eventos pra toda a família. Como diria o Pawel, o polonês que me hospedou, “oh gosh, this is so irish…”

>> eu e Nani em um dos Pubs da Temple Bar

Cores

As casas e o céu estavam sempre acinzentados, pois as casas são de pedra sem reboque e o tempo está sempre fechado. Os gramados e árvores eram extremamente verdes, por causa da chuva abundante. E as pessoas, rostos e cabelos avermelhados. Se rolasse um solzinho então, a cidade ficava cheia de pontinhos vermelho-pimentão.

>> Dublin doors

>> fachadas típicas, de madeira. As pretas e douradas são minhas preferidas.

Valeu a pena:

  • Visitar a Trinity College, que é uma universidade de uns 500 anos e muito linda, com um clima muito tranquilo. Lá dentro tinha uma biblioteca que me deixou maluco.
  • Passar um dia no porto e na costa em Howth, pra ter uma noção da beleza natural do país e comer coisinhas que vinham diretamente das fazendas irlandesas.
  • Tomar uma pint vendo a cidade do alto no observatório da fábrica da Guiness.
  • Relaxar nos jardins e andar pela cidade sem compromisso, conversar com as pessoas e ver como os irlandeses podem ser extremamente simpáticos.
  • E, principalmente, andar de pub em pub pelo Temple Bar e perceber como os irlandeses podem ser extremamente ogros quando bebem, hehe

>> tiozinho do porto de Howth, que fica sentado no banquinho pra conhecer pessoas e contar histórias. Total Forrest Gump.

>> pegando uma pint de guiness no observatório da fábrica.

>> jardim do Dublin Castle. Sempre com crianças, gente lendo, tirando uma soneca ou só batendo um papinho e curtindo a tranquilidade da cidade.

>> perdido, porque todas as casas eram iguais e eu não lembrava o número da minha…

Mais fotos de Dublin no meu flickr.

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